Argentino Semeador de Discordia
domingo
 
estou em uma rua estilo suburbio, asfaltada, porem com pouco transito de carros, alguns cavalos puxando carroca, algumas bicicletas, mas quando ha sol o transito se resume a criancas correndo, subindo em arvores e jogando bola, nada anormal, nao se vem predios por perto, algumas casas e mais casas, algum armazem, e um bar, acouge, etceteras, ate onde eu me recordo nao havia supermercados por perto, sim armazens de bairro, era sabado a tarde, e complicado explicar como e uma rua que existe, porque na minha cabeca aparece de uma certa forma e em cabecas alheias de outra forma, mas enfim, a rua nao importa, a calcada tambem nao importa, o meio-fio sim, alto e cinzendo, um banco perfeito e uma criança de uns 7 anos olhando pro horizonte, jogando pedras pros poucos carros que passam amassarem, meia hora passa, e a crianca esta al¡, imovel, eu sei quem e, por isso decido interagir com meu objeto de observacao
- oi, tudo bem, qual o seu nome? - pergunto, tentando ser o mais gentil possivel, para nao parecer um pervertido comedor de criancinhas, ele estava distraido, reagiu meio sobressaltado mas com esse olhar de curiosidade tao caracteristico nas criancas, responde, como confiando:
- Joao Carlos, e voce? - eu abro um meio sorriso, afinal, eu me chamo Joao Carlos.
- Eu tambem me chamo Joao Carlos - eu ia perguntar alguma coisa banal para continuar a conversa mas ele me pergunta as horas, e infelizmente nao pude responder.
- Nao sei, nao gosto de usar relogio, mas devem ser perto das 3, porque? - ele volta a fazer o olhar distraido e desconversa.
- E quantos anos voce tem, uns 7 ou 8, ne? - afinal e o que ele aparenta e estou interessadissimo em saber o que ele esta fazendo sentado no meio-fio.
- Faco dez em maio - fazendo a posse de mais velho que todos fazemos quando queremos crescer, como se isso fosse ajudar em alguma coisa, enquanto entablamos a conversa eu tambem sento no meio-fio e jogo pedras pros carros e acendo um cigarro, imediatamente sou repreendido pelo infante, algo sobre cancer ou prejudicial a saude, se ele soubesse o que eu sei, talvez nao seria tao precipitado nas criticas, mas criancas sao assim, dizem o que lhes vem a cabeca, em respeito aos pulmoes ainda virgens (mas nao por muito tempo) do meu companheiro de meio-fio, apago meu cigarro, nesse momento passa um caminhao e esmaga algumas pedras, pela primeira vez na conversa, a criatura sorri.
- ta aqui sentado esperando seu pai, nao e? ele me olha com uma cara estranha, e eu continuo - eu sei mais do que voce sobre o que acontece, e sobre voce, mas e uma historia complexa, eu so te digo umas coisa para evitar a tristeza momentanea, se seu pai se atrasa, a culpa nao e tua, ele quer te ver mas e muito enrrolado, eu sei que qualquer coisa que eu diga nao vai fazer muita diferenca, tambem nao e culpa tua os problemas da tua mãe, se ela age assim eh porque teve que crescer muito rapido,nao quer te fazer mal, apesar das bandejas quebradas na cabeca, ou as surras homericas, ela nao quer te fazer mal, so nao sabe o que fazer. - no fundo toca um telefone - vai la atender, que eh o seu pai dizendo que nao vai poder vir hoje, mas que semana que vem, sem falta ele vem te buscar pra passar o final de semana juntos - ele so diz, obrigado e entra correndo, quando ele entra eu levanto, acendo meu cigarro e vou embora.
Nesse momento eu acordo pensando que se eu pudesse falar comigo mesmo quando crianca nao mudaria absolutamente nada, primeiro porque eu nao ia entender o que estou dizendo, e depois de um tempo eu iria duvidar se esse encontro de fato aconteceu ou se foi (como neste caso) um sonho.
e sinceramente, se algum dia alguem aparecesse e disesse eu sou voce daqui a 20 anos, voce acreditaria?


 
tambem ando com problemas de ambientação, eu quero porque quero ambientar um mini conto em uma rua identica à rua que eu morei quando tinha uns 8 ou 9 anos, ou seja, tenho que explicar como é na minha cabeça a imagem de uma rua do interior da argentinha ha uns 12 ou 13 anos atras, porque provavelmente a rua na epoca era completamente diferente com a minha imagem da rua, entao fica meio impossivel transcrever, mesmo porque sou pessimo com detalhes, ou seja, exceto que a pessoa saiba como era a rua santa rosalia na altura do 300 em 90 ou 91, vai ser complicado explicar.
Lembrei tambem que foi nessa epoca que fui roubado talvez pela primeira vez, levaram minha bicicleta, eu nao tenho boas lembranças em geral da epoca,era uma epoca dificil, entao nao sei porque resolvi ambientar o conto la,, a nao ser que seja um conto sobre, putz, ...

 
poise, ando sem tempo para "querido diario virtual"
eu ia traducir de forma livre um mini conto do Chéjov " a morte de um funcionario" porque é um de meus autores prediletos, principalmente o conto "enfermaria n. 6" mas ae lembrei de como comprei este livro, a alguns anos atras na Argentina, indo pro trabalho, era outono, tava fazendo frio,e um individuo entra no onibus como todo vendedor de bala vendendo livros, 3 por 2 pesos, num desses pacotinhos de 3 tinha este livrim do chejov e mais um interessante chamado o coração das trevas, que serviu de inspiração pro filme apocalipse now e que segundo Jorge luis borges, talvez seja o mais intenso dos relatos ja elaborado pela imaginação humana, livro o cual nao consegui terminar de ler, nao tive paciencia, atençao ou o que for necessario.
Ando pensando muito na argentina nos ultimos dias, ha 3 anos nao vou, e inclusive tive duvidas sobre um acontecimento, que pode ser que eu tenha sonhado, mas uma vez, perto da minha casa, estava simplesmente andando (sim, eu faço isso de sair andando sem rumo) e um senhor de idade visivelmente doente me pediu ajuda, nao financeira, senao de apoio, literal, eu, como bom cristão, ajudei- o a andar ate a farmacia e comprar o remedio, lembro tb que nao conseguia entender direito o que ele dizia, deve ter durado como maximo 20 minutos a meia hora talvez menos, mas eu pensei sobre esse episodio ha pouco tempo e nao tenho certeza se isso de fato aconteceu, depois de acompanha-lo à farmacia, deixei ele em um bar conhecido por ele, e ele conhecido pelos atendentes do bar, provavelmente ele ja faleceu, eu nao sei o nome dele, ele nao sabe o meu nome e nem deve lembrar do incidente, isso se de fato o incidente ocorreu


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