Argentino Semeador de Discordia
sexta-feira
 
passei por uma experiencia assustadora durante o dia.
Ia para a casa do Bruno assistir o jogo do Boca, estava em ipanema depois de deixar um curriculo na livraria da travessa. Peguei o 413 - muda, destino afonso pena, passar no supermercado e comprar algo para comer, subir a engenheiro adel e lá estavamos nos de frente ao futebol.
Perdido entre o jornal e o desemprego sou chamado de volta para a realidade pelo choro de criança mais desesperador que ouvi na vida.
A mulher do lado da criança parecia merecedora do premio avo mais rude do mundo, não tinha o menos jeito para cuidar de uma criança. Depois de um certo tempo ou eu consegui abstrair ou a criança parou de chorar, o certo é que eu voltei a mim e o futuro proximo.
Saltei do onibus, isso eram 18:00 mais ou menos, cumpri o prometido e comprei bifes para o george foreman´s grill. Grande jogo, dominio absoluto do boca, goleada e show, felicidade plena, por momentos me senti na bombonera.
Decidi pela volta lá pras 22:00, entrei no onibus, não me lembro precisamente qual e a mesma mulher estava no ônibus, isso não me chamou a atenção quando subi no onibus, somente quando a criança voltou a chorar que tudo veio à cabeça, ao presente. Vou prestar atenção nela.
A criança chorava por momentos, usava um tipo de pijama, a mulher usava um vestido verde, um colar à mostra, o cabelo completamente desajeitado, como se fossem dois cabelos de caracteristicas completamente diferentes utilizando o mesmo espaço.
A criança era linda, devia ter menos de 4 anos, chamava as vezes pela mãe e tentava se apoiar na janela do onibus.
Quando a criança parava de chorar aconteciam coisas que eu considerei interessantes, a mulher ficava se observando no reflexo do vidro, ela estava no primeiro banco duplo da direita daqueles onibus menores, como era vidro não conseguia ter um reflexo bom do rosto dela, somente um olhar, uma expressão curiosa, ajeitava os cabelos e se olhava com um certo orgulho, talvez pensando " quem disse que eu não posso ter um filho, os medicos acham que mãe é quem pare, tá errado, mãe é quem cria e eu tenho todas as condições de ser mãe e criar um filho, esta criança pode me amar como uma mãe, eu vou estar do lado dela procurando os pais dela, enquanto isso, pobre criança perdida, vou cuidar dela como um filho. Com o tempo ela vai me chamar de mãe, achar seus pais pode demorar 1, 2, 3, 15 anos. Até lá eu cuido dela, boto pra estudar, com o tempo ela vai esquecer e eu vou ser sua unica familia, ele vai crescer, vai entrar na faculdade, vai ser bem sucedido, vai criar uma familia, me dar netos e quando eu morrer vai dizer que fui a melhor mãe do mundo. Afinal esse é o sonho de toda mulher"
Desci do onibus agradecendo minha imaginação por dar sinais de vida.

quarta-feira
 
When you walk through a storm, hold your head up high, and don't be afraid of the dark.At the end of the storm, is the golden sky, and the sweet silver song of the lark.Walk on through the wind, walk on through the rain,Though your dreams be tossed and blown,Walk on, walk on with hope in your heart,And you'll never walk alone, you'll never walk alone.


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