Argentino Semeador de Discordia
sexta-feira
 
Beatriz: Filosofa por vocação, prostituta por escolha. Ela tinha um bom emprego como gerente de uma razoavel loja de roupa femenina, ganhava bem, morava com sua gata.
Um dia pediu demissão, a noite anterior lhe havia mostrado o caminho para algo mais tatil, tangivel, proximo, imediato, não, não é exatamente isso, é aquele rush de calma euforica que se tem quando finalmente compreendemos tudo o que somos e vemos o mundo com simplicidade (você já sentiu isso, é bem legal). Ela odiava vender roupa.
Beatriz: Bipolar desde sempre, havia encontrado o seu centro. Compulsiva como poucas havia vislumbrado o caminho.
Beatriz: Linda, mas não era só isso, você olhava para ela e via que era uma pessoa "iluminada", com uma compreensão diferente da realidade, um ser humano evoluido que muitas vezes não entendemos por muito tempo.
Beatriz abraçou a vida da forma que ela, a vida se propôs. Depois de abandonar tudo exceto sua gata siamesa "srta. maracanã", 5 cd´s "rain dogs" do tom waits, "chelsea girl" da nico, "washing machine" do sonic youth, uma coletanea com o que ela achava que eram as melhores musicas do jhonny cash feita obviamente, por ela e um cd qualquer do dirty thres(ela não sabe o nome), e um livro amarelo. Colocou tudo na mochila, foi até o espelho do banheiroe escreveu com um batom marrom"te odeio, tchau", fechou o apartamento e entregou a chave a uma amiga, deu um beijo nela e foi embora.
A partir desse momento ela passou a rumar seu caminho, todos os dias ela gastava todo o dinheiro que tinha feito na noite anterior, não cobrava barato, não tinha exatamente um ponto por isso fazia o que queria quando queria, durmia de dia nos melhores hoteis que a deixavam se hospedar com o gato (vocês não fazem ideia de quantos hoteis caros não deixam entrar gatos, ela faz), se divertia fazendo a pequena mudança sempre que tinha vontade, ia no cinema quase diariamente, as vezes mais de uma vez por dia, é verdade, a maioria dos amigos não entendeu e se afastou, os que sobraram, os bons trabalham durante o dia e não tem tanto tempo livre e dinheiro disponivel para gastar, mas para ela bastava o tempo livre, o dinheiro era para ser gasto.
Não cozinhava mais, na verdade as vezes ela cozinhava, mas gostava de dizer que não cozinhava mais, apesar de tudo ela gostava de cozinhar e fazia um omelete famoso na america latina, voltou a acumular roupa, em breve ia precisar de uma mochila maior, e quando queria ferias segurava a onda por 2 ou 3 dias e ficava uma semana coçando o umbigo na casa de algum amigo.
Uma vez um sueco deu para ela a grana da passagem para ir à europa, ela usou o dinheiro para alugar a suite presidencial por uns 4 dias e coçar o umbigo de forma executiva.
"Na europa ninguem conhece o Mr. Catra".
As duas unicas tradições dessa vida urgente eram primeiro o café da manhã na praia do flamengo, um bar/restaurante chamado doce lar, o melhor café da manhã do Rio de Janeiro e outra estar sempre com pelo menos 2 maços de cigarros, afinal, nunca se sabe,...
Era uma noite estranha, ela estava sem dinheiro, esperando alguem interessado, passava um, outro, mais um, ninguem, ela calma, fumando seus cigarros, não é por causa disso que eu vou me desesperar, começou a amanhecer, ela saiu andando pela praia, foi ate o arpoador, sentou na pedra e esperou o sol nascer.
Por mais simples que sejá a vida certas coisas ruins acontecem, não é por isso que vamos nos desesperar, ela pensou em se matar, e foi andando até a casa de um amigo onde havia dormido uns dias atras, ele estava saindo para o trabalho, deixou a chave na portaria, uma grana encima da mesa(para os cigarros, eu sei que vão acabar) , coisas gostosas e pouco saudaveis que ela tinha comprado dias antes e uns filmes que ele tinha alugado na noite anterior, ela chegou, tirou a roupa, acendeu um cigarro, deitou e começou a rir

quinta-feira
 
em algum momento o sentido das coisas, por menor que seja se perde totalmente (adoro esses momentos, he he he)


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