Argentino Semeador de Discordia
terça-feira
 
ando nostalgico, nem sei explicar porque, mas ando, lembrei hoje da epoca que morava com meu pai (1998 - 2000), de tantas merdas feitas que marcaram minha vida, modificaram ideias, comportamento, entre outras coisas, mas lembrei, especificamente dos meus vizinhos, um casal de espanhois de certa idade que me detestavam, detestavam o meu pai e o meu cachorro que quando alguem se distraia entrava na casa deles e comia as plantas deles (bartolomeu, que deus o tenha). o que acontece, a casa onde moravamos era estranha, porque a porta da rua dava para um corredor onde havia a porta das duas casas, uma estrutura de casa, meio esquisito, mas entrando na casa havia uma sala com cozinha e uma area descoberta com um banheiro no fundo, subindo uma escada ficavam os 2 quartos grandes, o banheiro com banheira (essencial para gelar cerveja) e um tipo de terraço onde ficava a churrasqueira, o meu terraço dava direto para algo como a sala da casa dos vizinhos que era descoberta, como um jardim de inverno, nao sei explicar direito, como um patio no meio da casa, por assim dizer, meu pai que mantinha o habito de ir embora na quinta-feira para voltar no domingo sabia que eu chamava amigos para casa, ficavamos bebendo, ouvindo musica, etc,etc,etc, o que criou problemas serios com os vizinho, apesar de tentar amenizar o barulho quando ficava tarde ou eles ameaçavam com chamar a policia, desse terraço havia uma escada que ia dar no teto da casa, e ainda tinha um porão, casa divertidissima, lembrei inclusive que tamanho era o caos aos finais de semana que mesmo um final de semana quando meu pai havia viajado com o cachorro e eu estava no rio, eles colaram um cartaz na porta reclamando do barulho, inclusive eles reclamavam com meu pai, e ele me defendia, que eu era jovem e que podia fazer o que eu quisesse e ele dizia pra mim "liga pra esses velhos amargurados, nao, enquanto nao quebrarem nada esta tranquilo", mas lembrei precisamente de acho que era um aniversario porque tinha mais dinheiro disponivel que o normal, fizemos churrasco e compramos uns 12 6 pack de cerveja, passamos carne, carvao, etc, e peguei uma cerveja do six pack e disse "tem mais 11 aqui embaixo" (embaixo do carrinho) e mostrei pra mulher do caixa, paguei, sai, saindo eu estranhei que foi mais barato do que eu imaginei, olhei pro meu bolso, o dinheiro, peguei a nota de novo, olhei com calma, sim, a mulher tinha cobrado apenas 1 six pack, resolvemos democraticamente, comprar mais uns 10 caixas de cerveja, felizes, bebemos horrores, em certo momento da noite houve bombardeio do terraço pro teto de garrafas vazias,os vizinho ameaçando, e eu falando "shh, fala baixo" mais uma vez acordei com uma porrada de gente ao redor, mas isso era mais normal, o problema eh acordar em um lugar que voce nao reconhece de primeira, entao nao sabe aonde esta, nao sabe como chegou la e nem quem sao as pessoas ao seu redor, mas essa eh outra historia

domingo
 
hoje dormi às 5:30 para acordar 08:45 para ir trabalhar, consigo não me atrasar, mesmo que isto implique ter que usar a primeira roupa que aparece no caminho ate a porta, não lavar o rosto, muito menos tomar banho, mas sim, cansado, sujo, entediado, com frio na loja hoje que fecha às 18:00 eu lembro da minha avo materna, o unico parente da familia da minha mae que eu via com certa regularidade durante os 2 anos que estive adolescendo na argentina, mesmo que isso fosse uma vez por mes, comer ravioli, divertidissimo, eu desde sempre fui o neto predileto dela, nao sei porque, nao sou o primogenito, mas todos sabiam disso, meus primos insistiam que eu era o predileto, e eu fingia que nao sabia, mas eu sabia, ela me dizia isso como em segredo, mesmo que todos soubessemos disso, mesmo antes de vir morar no brasil, quando tinha 10 anos eu era o predileto entao tambem nao se explica que seja o neto que mora longe.
divertido tambem ir com ela no mcdonalds, as vezes eu decidia democraticamente que ela me levasse no mcdonalds, um tanto mimado, sim, mas era divertidissimo ver minha avo comendo um hamburguer com as maos.
minha avo faleceu ha alguns anos atras, eu nao sei a data direito, nunca soube, entao nao consegui guardar, nao lembro nem o mes, lembro sim que minha avo tinha uns problemas de saude serios, entao uma vez ou outra era internada na terapia intensiva, lembro tambem, que um dia minha mae chegou e me disse "estou indo para buenos aires, sua avo ligou e pediu que eu fosse".
Parecia que a velha sabia, entao queria se despedir, chamou minha mae que voltou uma semana depois me dizendo que minha avo havia falecido, que ela estava do lado dela segurando sua mao quando o coração parou, que quando lucida perguntou por mim, nao lembro o mes, nao lembro o dia, nao lembro o ano, talvez 2000, acredito que tenha sido 2000, ate hoje nao visitei o tumulo da minha avo, nunca mais fui a bs. as.
ela era uma pessoa diferente, pequena porem energica, quando levantava a voz parecia um tanto ridiculo quando nos ameaçava, tentavamos nao rir, eu era o unico que podia pegar livros emprestados da biblioteca pessoa dela (tinha entre 16 e 18 anos a ultima vez que fui pra la, li, a divina comedia, tio vanya, don quixote, tragedias gregas de esquilo que hoje em dia talvez nao lembre direito, mas na epoca impactaram), e tambem minha avo era obcecada com a arrumação, inclusive tinha uma sala toda montada da forma que ela gostava que nao deixava ninguem usar uma escrivaninha, nem sentar nos sofas da sala, exceto a mim.
eu sempre fui o predileto da velha,...,


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